Caminhava rumo ao trabalho, como sempre os pensamentos a lhe embaralhar numa ansiedade de quem é jovem. Ansiava momentos, e assim as horas iam marcando a sua vida.
Resumo sobre Lorena.
Ela se indagava muito. Lorena ás vezes parava diante de uma dúvida: viver é assim? Perguntava-se confusa. Sentia uma dúvida estúpida a respeito de o seu próprio viver. Viver é agir dessa maneira? Perguntava-se preocupada com a resposta. Mas numa brisa repentina seus cabelos eram levados, eriçava-se, sorria sozinha, alegre. De quando em vez a vida se tornava clara, sem precisar de indagações ou conceitos mais concretos. E seu andado rápido a levava exatamente aonde queria ir. Isso era magnífico, ir até aonde quer chegar. Descobriu que a pessoa chega até aonde deseja, teoricamente isso já era óbvio, mas agora sentia dentro de si uma coerência suprema. Entender para Lorena não era um ato considerado simples ou normal, entender deixava Lorena vigorosa, oscilante. O bonde corria. Não se espantava mais como antes. Olhou para o lado de fora da janela procurando se espantar com alguma cena e viu um cachorro com a cara enterrada num saco de lixo comendo, alvoroçado, uma carniça. Por que se espantaria? Não encontrou o motivo. Virou o rosto para a parte de dentro do bonde. Tinha muita gente calada ali dentro, isso a deixava aflita. O silêncio era como um grito de grande tortura em seus ouvidos. O silêncio para ela era mais agudo que um apito, para ela era a dúvida, a falta de resposta diante de uma dor.
Caminhar na rua, ela sabia bem. Risonha no seu vagar. Um vestido branco esvoaçante, um laço no cabelo, e de repente, outra mulher.
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