sábado, 26 de fevereiro de 2011

Vinte e Cinco de Fevereiro

Sol e chuva, pingos dançando no asfalto. Uma mulher escorregou na calçada. Tragédia em público. Chuva grossa, chuva áspera. E uma carência muda no canto da parede, esperando ser notada e saciada. A carência sentida derrubando todo um orgulho, que agora vergado vai sumindo, sumindo. E dentro do peito o desejo desesperado queima toda uma fé, destroça o amor próprio. Um mendigo observa a chuva passar de baixo de um alpendre, e seus olhos não estão mais famintos, estão atentos. De repente a fúria dos trovões a atormentar os medrosos. Um estrondo furioso que ecoa do céu enegrecido. A treva se fez de dia, e a noite nem será mais percebida.

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