Eu queria dizer com toda convicção que nunca confundi meus sentimentos, mas não quero inventar tamanha mentira. E se existe alguém que nunca tenha sofrido de confusão, que sempre teve certeza do que estava sentindo, se essa pessoa existe, eu quero conhecê-la. Não quero dizer que sou desorientado emocionalmente, simplesmente hoje gosto e amanhã desgosto de forma tão instantânea que me espanto. Mas isso não me preocupa. O dia já se foi. Amanhã é dia de trabalho e acordarei disposto, feliz e de pé. Por que tenho me acomodado muito, tenho vivido num sonambulismo chato e muito pedante. Não posso querer morrer só por que tenho uma preocupação.
A Dinda (minha cadela) tem mania de ficar em pé e de vez em quando me assusto com ela. Ela é muito avoada. Vive dormindo e espiando uma casa alheia. Explico: na parede do quintal onde a Dinda mora tem uma brecha que dá na casa do vizinho e ás vezes quando vou ver o que ela está fazendo, a pego espiando a brecha com orelhas em pé e num silêncio de quem testemunha um crime. Aí eu me pergunto: no que será que ela pensa? Já escrevi que um dos motivos do amor que sinto pela Dinda é o fato de ela não saber o que eu penso e de eu não saber o que ela pensa. Agente se ama sem ao menos saber a opinião de cada um. O mistério que o animal deixa no ar, é daí que nasce meu amor pela natureza. Eu que também sou um mistério incontestável.
Preciso registrar isso: A Dinda me deu um abraço!
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