sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Primeira Madrugada.


Estou lendo um novo livro e tendo muitas novas idéias. Mas são engraçadas as minhas idéias. São amalucadas e muito fugitivas, às perco de repente. Depois chegam outras e outras, até que me sento aqui e disponho essas breves reflexões, que são tão inferiores ao que realmente sinto. Tenho trabalhado para que possa exprimir tudo o que quero. Enquanto não o faço, pelo menos me tranqüilizarei pelo fato de amanhã ser sexta-feira. Já está de madrugada e mesmo sabendo que terei dificuldade de acordar cedo amanhã, não estou com vontade de dormir. Eu quero sentir a noite. Não posso contemplá-la completamente, pois me situo dentro de casa, mas posso ouvir os latidos que ecoam na madrugada. Os latidos dos cachorros negros. Pensei que estava chovendo. Fui verificar e nenhuma gota pingara no chão. Foi alucinação minha.  Eu tenho fobia das grandes águas. Principalmente as paradas e silenciosas que escondem o mistério de quem vive no fundo. Apesar de viver na terra e caminhar no chão duro eu sou aquático. Sinto uma ligação muito profunda e até mesmo apelativa pelo mar. Quando passou a ressaca do mar na televisão, infelizmente não pude ver de perto e até achei melhor assim, quando vi a ressaca do mar fiquei assombrado com a invasão. A água chegou até a pista, bem próxima dos carros. Meu Deus aonde o mar vai parar? Será dentro de mim? Se lá fora não fosse perigoso eu colocaria uma cadeira na rua e me sentaria silencioso e contemplativo. Para sentir apenas. A noite trás os fantasmas mais adoráveis. À noite eu caio, mas não num sofrimento, eu caio num delírio que é só meu e que invento pra me divertir. Eu já tomei banho de chuva à noite. Eu já fiquei a noite toda sem dormir e quando deitei minha cabeça pesava. Hoje escolhi ficar até de madrugada escrevendo apenas pra sentir. Senti saudades de naturalmente poder me ligar a uma noite que me pertence. Senti saudades de inventar histórias fantasiosas. A realidade não é tudo. Eu já experimentei algo que me veio naturalmente e que talvez eu possa chamar de: Transe. Senti saudades de me deixar levar pela música. Tirei a conclusão de que se eu saísse de casa moraria sozinho, pois só assim eu escreveria da maneira que quero. Três quadros levitam na parede, silenciosos e sombrios. Quadros que não me dizem nada e nunca disseram nada a quem os comprou. Existem coisas assim que de tão mudas são belas. Talvez eu deva dormir, pois continuarei dormindo tarde nos próximos dias para concluir meu trabalho. Para cumprir meu papel para com a noite. Noite que já amo sem medo algum.

Um comentário:

  1. A noite sempre faz a gente refletir mais. Não sei se isso tem a ver com a calmaria que ela representa, quem sabe?!

    Espero não perder contato, viu?

    Maravilhoso final de semana.

    Rebeca

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