Pela manhã o sol se escondeu e escutei uma música romântica. Desci a ladeira com um sorriso no rosto, e pro mundo eu sorri. Os pingos de chuva engrossaram e a vida continuava mesmo assim. A rua virou rio. E os carros e caminhões formaram ondas, molhando a velha que dormia na janela do bonde. O sol não quis aparecer, deixando todo mundo com guarda-chuva na mão. Os guarda-chuvas variados, coloridos, quebrados, abertos ou fechados. Foi água até não querer mais, os preguiçosos aproveitaram a ocasião, nem saíram do colchão. Os trabalhadores agitados fazendo confusão, subindo e descendo em todas as direções. Havia muita gente acordada, muita gente calada. O garoto tacou o queixo no chão. O bonde freou e o bêbado bateu a cabeça na janela fazendo um estrondo que despertou a galera. Foram risos presos, risos soltos e dentro de mim uma legião de pensamentos. Vontade de escrever, de escutar música, menos de estar na rua aquela hora. Tive que comprar um guarda-chuva feminino, todo verde com flores coloridas, pra escapar do banho e pra não perder meus aparelhinhos eletrônicos. A tragédia era dita no jornal do meio dia, Fortaleza virou Veneza, e as crianças eram uma só alegria. Brincavam de mergulhar, de chutar água suja um contra o outro. Lembrei-me: também já fiz isso quando criança. A chuva me deixou um tanto diferente. O clima está propício para a poesia, mas preferi sentar aqui e despejar uma coisa menos trabalhada. Lançar frases curtas me é interessante.
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