Ontem por volta de seis horas da noite me encaminhei à biblioteca pública do Benfica. Recebo toda semana um convite para um evento cultural que recomendo a todos que tem oportunidade de sair nesse horário. Merquei com um amigo, mas ele acabou não indo. Existiam mesas num espaço aberto. O tema da peça, pois era uma espécie de teatro, era: cardápio cultural. Nas mesas eram dispostos livros de diversos autores e ao meu lado, enquanto eu lia, pude perceber alguém se sentando à mesa em que eu estava. Era um homem grande. Sentou-se e me perguntou algo que agora não me recordo, respondi. Tentei me fechar na leitura, mas fui atraído por uma conversa por mim pressentida. Perguntei: você participa sempre dos eventos da biblioteca? Ele respondeu rápido e interessado, como se eu não fosse dar tempo para que ele falasse tudo. E essa pergunta gerou outras e outras. Acabei descobrindo nele uma pessoa interessantíssima, de conversa construtiva. Falou-me sobre livros, o que me atraio arrebatadoramente e até me indicou um, que lerei. Conheci um amigo de verdade, penso agora comigo. Deslize meu foi não ter pegado um contato com meu mais novo amigo, e não me recordar de seu nome, nem um telefone se quer pedi. Ambos esperamos um pouco pelo início da peça, eu em particular esperava um amigo que não viria. Eu estava gostando da demora da peça, pois assim podia aproveitar a conversa. Ele me falou que cursou filosofia. Eu falei que escrevo e leio muito literatura brasileira. Ficamos à conversa quando um homem entrou badalando um pequenino sino dando início ao esperado espetáculo e as poesias começaram a ser recitadas, e da boca dos atores teatrais saiam as mais belas recitações. Bebi um pouco de vinho com sangria, fiquei de olhos brilhando. Fiquei muito inspirado com tudo, com a noite, com as pessoas que estavam ali, interessadas na mesma coisa que eu. Pessoas que fazem questão de participarem de uma arte tão bonita por amo e de graça. E alguns convidados que já faziam parte do meio artístico recitaram lindas e sérias poesias, que me eriçaram os pelos do corpo. Senti-me tão completo, no lugar certo e com as pessoas certas. É muito justo trocar o que te dá mais lucro e um falso conforto, por algo que você realmente gosta de fazer. Nada compra a satisfação de fazer algo que você ama. Nada substitui. Foram muitas poesias, foi muita satisfação de minha parte e uma melancolia depois, talvez por querer demais. Em suma pretendo repetir esses programas.
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