domingo, 9 de janeiro de 2011

Ao Cair Da Tempestade

O dia está frio. De noite caiu uma chuva ensurdecedora que sangrou por uma goteira derramando-se sobre minha rede que logo ficou ensopada. Eu dormia mesmo assim, sentindo os pingos batendo em minha cara, numa mistura de sonho e realidade recém-chegada. Fiquei suportando os pingos até que despertei sobressaltado. Despertei como se emergisse da morte e olhei a rede que agora possui uma cor mais escura por conta da água. Foi então que passei a ouvir os estrondos causados por trovões de pura fúria da natureza. A varanda agora reluzia com o piscar de raios, à luz que invadia descaradamente o compartimento.  Olhei a varanda e me levantei sem escolhas, eu queria mesmo era dormir, mas o sono se foi sem eu querer, e me veio uma insônia desconhecida, nova. Quando olhei a tempestade fiquei vislumbrado. Há tempos não chovia de tal maneira. Há tempos o sol nos obrigava a suar. Enquanto chovia eu estava esquecido de mim mesmo. E ainda estou esquecido, pois aquela noite me ensinou a me esquecer. Não me refiro a um desleixo, mas de um desligamento mais profundo. e então fiquei sentado numa cadeira que fica na sala, de um desconforto normal. Sentei-me de olhos fechados, mas sem dormir, eu não podia dormir. O que eu esperava exatamente? O que me esperava naquela noite de ninguém? Quando o barulho das gotas no teto ficou mais ameno fui me infiltrando em imagens desconexas e soltas, eu as controlava como um ébrio se controla. As imagens me acalmavam por serem amorfas. Como uma hipnose involuntária do sono. Foi quando dormi sem peso. Larguei-me ali mesmo na poltrona, esquecido de tudo. Quando despertei na manhã do mesmo dia, pois a chuva se deu por volta das quatro horas, quando despertei já não me lembrava do ocorrido. Já não me lembrava da varanda reluzindo. Foi ao ouvir os boatos da tempestade que me recordei do meu momento, só meu. E hoje o dia foi exaustivo. 

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