quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Praça

De quando em quando me lembro da praça, onde quando em criança eu me divertia com nada. Eu subia no coreto e passava por entre as grades espaçosas de corrimões amarelos e arredondados. A praça era grande, e em muitos lugares eu repousava com meus amigos desocupados. E como o domingo era esperado por mim. Todos os domingos eu saia com meus pais à caminho da casa de minha tia. Às vezes íamos passar o domingo inteiro e durante a tarde eu ia pra praça que ficava de frente pra casa de minha tia. Lá tinha árvores grandes e aparentemente velhas. Tinha também uma igreja com uma pequena gruta onde eu molhava a mão. Um dia eu e meus amigos fomos brincar de gangorra, mas num desequilíbrio acabei caindo e fui levado ao hospital onde engessaram meu braço. Eu era tão curioso quando criança que até gostei da experiência de ter quebrado o braço. Hoje eu não suportaria. De noite a praça ficava extremamente povoada e na época eu não conhecia o perigo, tão livre eu era. Meus pais enquanto conversavam na calçada me deixavam passear. E eu caminhava numa fantasia que era só minha. Mas o que mais me encantava era quando chovia. Ah, quando chovia e eu saia correndo no meio de ninguém , eu só sendo banhado pelas gotas frescas de água que caiam. Os braços saltados pra cima. Um sonho se fazendo real. A praça banhada pela chuva se tornava um mundo novo pra mim. Foi também na praça que me embriaguei pela primeira vez, mas isso já foi mais tarde. Recentemente eu fui com meu pai à casa de minha tia e claro não deixei de ir até o coreto onde eu subia. Lá eu me sentei, mas muita coisa mudou e estranhei o lugar. Como nós somos mutáveis e como eu mudei! Eu não conheço mais quem eu era. Agora só conheço quem eu sou. O passado é tão belo pra mim, ele me prova tantas coisas. Até parei de lembrar tanto do que passou, mas quando paro pra pensar me emociono com as mudanças e com a capacidade que temos de deixar tudo guardado. Algumas coisas eu conservo na memória, mas não as quero para lembrar no dia-a-dia, pois são muito importantes e talvez me fizessem chorar. Sou tão emotivo que até posso ser confundido com uma pessoa depressiva, mas não, existe uma grande diferença, eu sou feliz! A minha emoção gera minha felicidade. É tudo um conjunto que forma: eu. 

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