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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Ondas de uma maré cheia.

       Clara tinha próxima de casa uma lagoa grande e conhecida com campo de futebol e uma calçada imensa. Ela amava esse lugar, pois o vento de lá soprava mais fresco em sua face. Num sábado ensolarado Lara sentiu dentro de si a ausência de algo muito anônimo, e isso lhe desencadeava uma impaciência melancólica de quem está a mercê do destino. Então tomou um banho, se perfumou e resolveu caminhar um pouco, espairecer. Enquanto se aproximava do calçadão ao redor da lagoa Clara olhava a rua, a vida em si, e de novo a ausência. Era como se ela estivesse esquecido de como se vive, como se não pudesse mais ver as coisas como antes, e tudo vindo de uma grande consciência que muitas vezes ela não desejava. 

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Vivência de um amor platônico

É, mesmo sem ter propriamente arriscado eu ainda fiz de tudo, de tudo pra te amar. Te amar é um absurdo. Eu me aproximei de você e toquei sua cintura, mas sua ignorância não te permite perceber minha imensa paixão. De que valem essas palavras? De que vale meu coração? 
                                                                          . . .

Apesar do meu coração te sentir fortemente dentro dele, eu sei da grande ilusão que estou vivendo, o quanto fantasio pensando em te ter. Nesse momento estou completamente sensível, precisava de sua presença, do seu olhar. Por que eu amo quando você me abraça na frente de todos. Você finge que não percebe que eu te amo, e eu finjo não te amar, e nesse fingimento recíproco eu vou vivendo dia após dia ao seu lado. 
                                                                          . . .

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Conceito

       Quando ontem descobri necessidades. Quando tentei falar, até gritar o que queria, e não pude, dormi. E hoje, quando já é madrugada, preparando-me pra outro dia que já é próximo, eu não quero mais nada daquilo. Não me resumo ao que quero. Sempre vai existir o além, e dentro de nós se define a vida. A complexidade que envolve a vida pode enlouquecer ou apenas deixar suspensa a existência de alguém. O que define você não é o que você tem, mas sim o que você sente. Quem vai saber o que o sorriso do vizinho realmente quer dizer? E é na rua que a vida passa rápida, é na música, na fantasia que a vida vai ligeira. Falar sobre o viver é desafio pra qualquer um, mais ainda pra quem se indaga. E o limite de cada um está aonde cada qual quer chegar.  A diferença é que existe o que quer, e o que acha que quer. O óbvio só é simples pra quem compreende. Compreender exige aprofundamento. Conceitos não me interessam mais. Cada um tem seu conceito. 

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Vinte e Cinco de Fevereiro

Sol e chuva, pingos dançando no asfalto. Uma mulher escorregou na calçada. Tragédia em público. Chuva grossa, chuva áspera. E uma carência muda no canto da parede, esperando ser notada e saciada. A carência sentida derrubando todo um orgulho, que agora vergado vai sumindo, sumindo. E dentro do peito o desejo desesperado queima toda uma fé, destroça o amor próprio. Um mendigo observa a chuva passar de baixo de um alpendre, e seus olhos não estão mais famintos, estão atentos. De repente a fúria dos trovões a atormentar os medrosos. Um estrondo furioso que ecoa do céu enegrecido. A treva se fez de dia, e a noite nem será mais percebida.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

É preciso ter muita cautela com o tempo, e atenção também é necessária, pois ele passa. Já estamos em 2011 e a ultima década passou ligeira e recheada de descobertas. Eu à beira de ter mais de vinte anos e encaro essa idade com surpresa e um pouco de nervosismo. Até me apresso. Acho que devo fazer um curso de arte, os cursos que fiz foram mal aproveitados por mim, e sinto falta agora de certos conhecimentos. Escuto daqui uma música que vem da casa que fica de frente pra minha. É uma música da MPB e é bem clássica, não sei seu título, mas a sua melodia me traz recordações grandes demais.  E me traz saudade de uns amigos que eu não vejo há algum tempo, que estavam muito próximos de mim no passado. Talvez a decepção que tive com um desses amigos, partiu de mim mesmo, pois no fundo eu não sabia o que esperar dele. Daí a decepção, sem saber o que esperar, terminei me perdendo ao reconhecer algo que me machucou, mas é tudo passado. E hoje é dia de sol, a manhã foi de chuva no início, mas logo o sol apareceu altivo. 

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Começou a chover ontem por volta de meia-noite, e quem mora aqui em fortaleza pode presenciar a chegada da longa chuva que até agora às 16h31min não parou. Claro que os pingos agora caem suaves e quase parando. Às vezes parece até que parou de cair água do céu, mas quando a mão ou parte do copo é posta pra fora sentimos suaves os pingos. E assim o dia está sendo, parado. Causando uma preguiça em que ousou acordar. E na varanda o garoto acabando de acordar boceja olhando a rua molhada. Gosto da chuva, pois através desse fenômeno da natureza é possível um desligamento do que se passa dentro de mim. Esqueço-me do troço que se debate dentro do meu peito, o troço do amor. 

domingo, 28 de novembro de 2010

 Sei lá o que a vida me parece. Ela parece o nada onde se cabe tudo. A vida é uma roda gigante que nunca para de girar, disso eu sei e nem me lembro onde aprendi.

 

sábado, 20 de novembro de 2010

Um dia me disseram que a vida é difícil, mas difícil mesmo é viver sem amor no peito. Sem saudade nos pensamentos. E querer sentir-se especial é um sentimento tão apelativo quanto à solidão. Tão desesperador quanto está sozinho num quarto e esquecido e mal solicitado.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

E pela janela era possível ver a noite. As árvores dormiam. Só as folhas suavemente balançavam, alguma caia no chão levada por um vento frio e silencioso. O coração palpitava numa ansiedade exausta. Por que a noite trazia a melancolia fria e sonolenta de quem dorme pouco. Mas por que não encarar a vida como ela é? Perguntava-se. E numa decisão tão súbita e pouco confiável decidiu encarar e se conformar com a efemeridade do tempo.




 Tristeza também agente inventa...